++ percepção lentamente valorizada do amor brasileiro agreste <:> rito ovariano onírico e negro :x: paixão e sociabilidade dionisíacas comungadas por dona deuSa (sílvia goulart) e o boi arteiRo (marcus minuzzi) <:> a verdade xamânIca da guerra apruma nossas corações antigos e dispostos a tudo contra o fascismo :x: poemas, análises, amores pictografados <:> elegia ao sertão artístico :x:

segunda-feira, 8 de junho de 2020

a comidA santa neGra



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a relva sonha nossa liberdaDe,
o seio da mãe ::
uma inhaMe enfeita a teta da mãE ::
mãe é comida, ela mesmA ::
manda na vida,
manda a vida pra frEnte ::
seio, energia ::
construção, energia ::
construção, energia ::
orixá, cabeça de negra-negro,
energia para a associação,
a vida em grupo ::
nada une mais que a comida ::
a relação sensual com a vida,
forma de falo, tornar tudo
espalhado, multiplicado ::
múltiplos grãos ::
bater com o pilão, pau, cajado ::
apanhar para ter vida,
sentir-se desmanchado,
santo surra, orixá bate ::
o retorno ao seio da mãe
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segunda-feira, 1 de junho de 2020

NORte

>< >> rosTos americanos assomBram o céu do bRAsil ><
 
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++ recombinação brasileiRa do que pensa a mitologia 
selVagem e ampla, aberTa, dos estAdos unidos da amÉrica ::

henry david thoreau :: o que lembro de mim, o que sei :: os conselhos do jazz e das virtudEs do lobo xamânico,

do negro espíriTo :: ah, selvaGem :: hora selvaGe
m :: músiCa selvagem :: novidaDe :: a mitologiA
americAna será novidade, bRAsil-estados unidos, essa bionacionalidAdE :: quando penso em junG,
le
mbro desses negros, dessas fusões entre deuSes e instrumenTos ritualísticos, homenagens,
sentimentos, sacrifícios :: o bob dylan :: o "man" em seu abrigo telúrico, meu amigo :: o homem forte,
o homem ser, as correntes para

os escraVos construindo suas ferroviAs mas também suAs navilouCas,
no coraÇão do bluEs das amÉricas ::


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"Num governo que aprisiona qualquer pessoa injustamente, o verdadeiro lugar e um homem justo é também a prisão. O lugar apropriado, hoje, o único lugar que Massachusetts proporciona a seus espíritos mais livres e menos desesperançados, são seus cárceres, nos quais se verão aprisionados e expulsos do Estado, por ação deste, os mesmos homens que já haviam expulsados a si mesmos por seus princípios. É ali que deverão encontrá-los o escravo foragido, o prisioneiro mexicano em liberdade condicional e o índio que queiram protestar contra as injustiças sofridas por sua raça; naquele lugar à parte, embora mais livre e honroso, em que o Estado coloca aqueles que não estão com ele, mas contra ele - o único lugar num Estado escravo em que um homem livre pode viver com honra." ((Henry David Thoreau - a desobediência ciVil, p. 31, L&PM.



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domingo, 17 de maio de 2020

naTural enjoo

a complexidade do real, sua intrincada rede de relações, pode ser melhor assimilada na medida mesma em que desenvolvemos uma rede semelhantemente complexa de relações a partir de nossas voracidades linguísticas ::  por exemplo: numa riqueza de detalhes de uma composição bem tecida, em uma obra musical, encontramos um meio para, por analogia e força da imaginação, desbravar a rede complexa do real :: para, por conta desses recursos, não recair em imprestáveis simplificações ::
ou, por outra: uma subjetividade rica enriquece a chance de melhor interpretarmos o real, pois nos abre uma percepção onírica tamanha que nos aproximamos do próprio sonho leve das categorias divinas que nos legam essa pesada estrutura complexa - o real - envolvendo matéria e tempo, tempo e matéria, ontologias vitais de sexo e competição, sangue, ossos, metais, morte, espumas, alucinações ::

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e se falássemos como um japonês? :: assumindo uma língua distante da normal, soando estranho como um oriental? :: assumindo aspectos da brasilidade que talvez nunca tenham sido incorporados à identidade comum do povo, ou que jazam esquecidos :: a música dos seringais, os toques do pantanal e do cerrado, tudo que faz parte de uma imensa cultura popular :: ainda é possível sonhar com essa espécie de torta ou bolo, confeitada por nossa sede de ser? ::

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                                                        >< ><
ó, natural enjoo :: deus me dê forças de suportá-lo :: enjoo a gás, a motor, a eletricidade, na via digital, vinculado ao estar vivo, em sociedade, suportando todas as seriedades e maus humores individuais :: na internet, o enjoo vai a mil, vai a milhões :: para sentir-se derrotado, basta estar acompanhado :: porém, na luz da companhia de milhões, propiciada pela rede oculta, sonhamos ::
><

romanCe astrolóGico

a molecular massa, ou melhor, a massa pensada desde dentro, por suas combinações, em que se juntam sagradas andorinhas ancestrais, impulsos antigos de liberdade :: no cotidiano, a massa bem pensada, combinações de brejos e voações, conquista da alma :: alma santa para essa massa, alma que me purifica, nos cotovelos, nos flancos machucados pelos lampejos de são paulo, globalização, intimidações alheias, o mundo em sua viração desaguada :: para receber a massa, forma untada de margarina, um beijo, também sagrado, cura meu olho :: oito são as colheitas, quando chovem do céu essas dádivas, quando se movem as nuvens :; pão, leite e mel, a extrema unção :: eXu :: a dEus cabe o alimento :: de mim, dEus quer que eu o olhe, bendizendo-o, agradável, palatável, pensativo, milenar ::


aqui, nessa seara, do alimento bendito, meu passo ardente em direção a uma casa maior, útero aconchegante, redescoberta de uma doce plumagem que protege para imensas batalhas :: as casas maiores são engenhos de açúcar e casas da farinha, açougues e mercearias :; reações químicas me protegem para batalhas, trocam indisposição por maravilhas, na guerra contra os nazistas negacionistas fanáticos, santa encruzilhAda, antiga, benta, orada, sagraDA :: cruzeiro maríTimo, cruzAda ameríndia em direção ao regional espírito da herança brasiLeira benquista :: na glóriA do alimento, a humanidade reconquista sua unidade massacrada, na ancestral farinha, por último moída, em purificador e perdoAdo engenho, milenar açougue, espada que acomete mansos cordeiros, aspergindo seu enigmático sangue cheio de simbolismos sonhados por álvaRo de campos na distância do pensamEnto do gloRioso ::

estou cruel, estão cruéis as lavadeiras, que parturientes, colorem o céu com o parto de suas dores :: tudo dói nesse romance astrológico dionisismo natal ::





a cara nega a barbárie
a cara prazerosa do guerreiro
não-monstro



>< a invenção de coRa corAlina na batalhA das memóRias ++

"Adquirimos, com o tempo e com os anos, uma sensibilidade nova, muito superior à sensibilidade da juventude, que pouco nos dá, a não ser a própria juventude, com seus erros e desacertos (...). De modo que nós não trazemos uma bagagem da mocidade. Esta é uma ilusão muito grande. Esta bagagem da mocidade se desfaz em pouco tempo, em poucos anos. Ela se desfaz. Mas a vida nos dá uma outra bagagem, mais sólida, mais positiva, mais vigorosa, é esta que vou levando pra frente e vou procurando renovar e viver nos meus livros, escritos todos eles no tarde da vida! (...) A vida vai nos dando através dos anos, através da experiência, através da vivência, novos quadros, novos interesses, e mostrando o seu verdadeiro lado de poesia. Uma poesia vivida, uma poesia objetiva, uma poesia que eu procuro fazer válida nos meus livros. É onde está o meu espírito e a minha capacidade de viver." (citação de coRa corAlina ><



:: o jeiTo caboClo >< arriMO, muaRes

terça-feira, 28 de abril de 2020

caboCla verdaDE

Espero que a tarde
Não finde meu tempo.
Busco todos os dias o meu ouro, meu incenso.
Arco de plantas perenes.
Meus metais,
Minhas forças construídas
Como rocha.
A luz que molda os cantinhos
Da cidade, os muros, as praças,
E mostra o que se esconde
Das pessoas que passam sem
Perceber os calangos e caracóis
Que habitam e passeiam entre nós.
Espero que não demore
O tempo de colher.
Que a luz vertida
Nos acompanhe
Nestes becos.
Espero em versos e orações
Que a humanidade cresça
E possa passear com as
Borboletas.
Que veja o que vejo
Nestes ruazinhas do
Brasil antigo.
As marias-sem-vergonha,
As flores tímidas,
A seca.
O sol quente,
A beleza cabocla.

>< sílVia gouArt, dona dEusa ::







para que publicar a poesia? :: será ela notável, sendo tão incompreensível? :: a vejo muitas vezes como um flash, ou lampejo, dizendo de vibrações músico-visuais que estampam, gravam, nosso romance com a mãe natureza :: para se deflagrar numa sala cheia de gente vazia, numa parede magnificamente esquecida, numa pandemia de psicose :: para que publicar a poesia? :: para oculto nela permanecer, ao mesmo tempo em que não se consegue frear o ímpeto dessa divulgação :: permanecer desassossegado no sossego, viver descansado como um inseto imperceptível grudado a um canto empoeirado, numa quina do teto da casa :: aqui, nessa loja, vendem-se portas para um mundo de mínimas figuras, que cantam, ativas, fazendo zoeiras, aliviando inundações, enchentes do mundo por sobre nossa pura beleza :: muitas vezes, para sossegar a alma, gosto de pensar que sou um hipersensível molusco, um caramujo mítico, consumindo luz, na beleza de seu pertencimento à rede de seres vivos que compõem um antigo e onírico jardim :: maneira, ao mesmo tempo, de não ser ninguém, de não estar nem aí, para nada, para ninguém, anímico, otimista, infante, antigo, infalível ::


>< marCus minuzZi, o boi arTeiro ::




"A complexidade da dinâmica do preconceito não pode ser reduzida : é comum, por exemplo, se dizer que o preconceito é um conceito mal fundamentado ou uma representação errônea, equivocada, com base em estereótipos que podem ser combatidos e eliminados com a informação correta, com o esclarecimento, etc. Mas a sustentação dos preconceitos está na própria dinâmica psicológica e não é fácil erradicá-los com a prova de sua inverdade."

<>++ A Personalidade Autoritária
Estudos Frankfurtianos sobre o Fascismo <>++



sexta-feira, 24 de abril de 2020

os descasos


A natureza é generosa e espontânea. Precisamos aprender a cultivar o ato singelo de doar-se, tal como essa grande mãe.







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Somos medo. Alguma coisa nos amplia se somos a sensualidade que amplia o medo. A sensualidade ativa em nós, viva em nós, como em todo instante. Como todo o instante.

Já reparou como nossa experiência social é de uma profunda densidade desagregadora?  Profundidade talvez somente comparável ao sentido da vergonha humana que se perpetua  pela existência inevitável do pecado capital?

Parece que, na vida, obrigatoriamente social, as vozes, semblantes, vontades alheias, nos tiram do  eixo.

A vida acompanhada, assim, nesses termos, pode-se dizer que é sub-repticiamente perturbadora, um problema, até certo ponto escandaloso, envolvendo toques, aspectos, de invasão, de roubo. De uma certa histeria.

E, apesar da penosa profundidade disso a que pretendo me referir, pode-se captar sua existência em situações cotidianas aparentemente banais - como estacionar mal o carro.

Outro dia fui fazê-lo, encontrar uma vaga. E não me restou outra opção que não fosse recorrer à famigerada baliza, quando é preciso manobrar bastante para encaixar nosso veículo, apertadamente, entre outros dois veículos.

Existe experiência social que nos faça tremer mais, exagerando um pouco?

Somos medo.

A baliza é uma espécie de teste social por excelência, entre outros tantos, pois amplia nosso medo, tudo o que formos fazer ali é alvo em potencial de alguma reação alheia.

Sendo essas reações sensualidades, posto que disputas de vocações, poderes, mesquinhos interesses que dão prazer. Guerra microscópica e obscuramente amorosa.

Desde a possibilidade de um arranhão no seu carro, e nos demais veículos à volta, até o horror de congestionarmos o trânsito, em um horário de pique, passando, evidentemente, pelo vexame que tudo isso implica.


Qualquer erro aí remete-nos a essas obscuridades alheias à nossa vontade pessoal..

Na vida social, tudo é teatro, tudo é representação. E quanto menos der errado, melhor.

No trânsito, e na baliza em especial, uma série de habilidades são requisitadas. E desenvolvê-las com maestria nos faz articular o medo a novas realidades psíquicas.

Deslizamos então pelo caminho pedregoso da reprovação e da rejeição. Atingimos o nível mais alto da sensação de sermos heróis, pois nenhuma força oculta, interna ou externa, no constrange.

O que é profundo, o medo provocado pela baliza, faz com que vençamos a partir de forças também retiradas da profundezas.

JONGO

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Deixem-me rezar um pouco aqui.

Meus ninhos caboclos cheios de soluções anímicas para os respeitáveis medos ocultos em inúmeros detalhes da vida nas brasileiras cidades.

Horrores que ativam molhadas perfeições, no inconsciente.

Se isso se torna reconhecível, e, ó, como é difícil reconhecê-lo, passamos a honrar, então, os massacres típicos do cotidiano, que nos ampliam ampliando nosso medo, e que nos fazem alcançar, com nossas mãos, as mãos estendidas de entidades agregadoras do panteão coletivo nacional.

Nossas donzelas loucas e úmidas. Nossos personagens satíricos que trazem alívio ao desespero. nEgra escuridão alcançada.

A realidade brasileira sempre foi magnificamente trágica. A começar pelos sucessivos anos de escravidão e atraso, onde se escondem potencialidades desagregadoras que nos ativam medos ao horror óbvio de estar com a vida sob constante ameaça.

Nesse processo de dissolução por vezes da mais básica segurança existencial surgem, são avistadas, as vagas limítrofes com lembranças do tempo onírico ancestral mais perfeito que possa existir.



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<<Quero crer que assim seja o caso da baliza.>> Na verdade, muitas outras partes do cotidiano comportam tamanha dramaticidade.

Me ocorre elencar ainda, se bem que menos banal, o difícil artifício, imagino que conquistado a duras pena, de equilibrar-se sobre uma prancha de surf.

Não deve ser algo simples, posto que de uma tensão permanente.

Na vontade implícita do quem pratica um esporte como o surf está a necessidade de atrair atravessados olhares de admiração, pelo incomum e admirável dessa habilidade, nascida com quem a desenvolve, de orientar forças arredias. Isso atrai olhares sujos de admiração, densos de inveja e de repentina vontade de destruição.

Habilidades sociais atraem forças. Habilidades sociais tem essas coisas, mesquinhas.

Atrás de todo atirador da inveja vem um poder de ampliar medos, que é sacro, no sentido anímico das bolinhas, bolinhas como objetos, que escrevem douros.

Há poderes ocultos na inveja, que relacionam a átrios específicos, sacrificiais, onde o rolar de todas as cabeças é poderoso sacramento coletivo, misturando sêmen e sangue, pertencimento a um espaço solar de vinte horas ativas, que nos devolvem ao mundo avantajados.

Amor. Amor e ódio.


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Quando eu era crime, eu via a noiva, eu a cobiçava, com inveja, todo o estar da invasão e do roubo e do sair-se reforçado.

E no rolar da indiscrição, descubro que amo aquele que me inveja, por ter amado a sua inveja, que me fez sonhar tanto.

Que me fez gozar tanto, em uma profusão de pancadas que sempre amei receber, sendo que, por recebê-las, empreendo ter conquistado a coerência do mundo.

Quando a voz me abre no segundo ativo, absurdo, da cidade, estou iluminado, por estar enlameado.

Eu sou um rolar dessas coisas pias. Eu visto a carapuça de santo. Eu penso com a morte em meu pescoço.

Saiam, escondidas, as raças que escondem esses pensamentos, o fluxo do tesão entre a cópula e a degola, o instinto de vida e o instinto de morte, como diz fReud.

já oUtros dizem exU.

laroiê, legbá.

exu carnaVal. exu perfeito draMa.

unS dizem tanta coisa. outros não dizem nada....




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Não é outra conclusão a que posso chegar quando penso nos deslizes de uma onda neofascista que tomou conta de nosso país.

A vida vai rolar. Inconscientemente, acho que atraímos esses dramas, sob tais tensas expectativas, que reforçam o andor da nação, carregando suas divindades absurdas, psicóticas, esquizofrênicas.

Dramas de um realismo fantástico. Apologia às deusas e deuses de tudo, exu barbaridade, com comida, axé e pÃo.

Ninguém sabe a razão do neopentecostalismo fantástico. Eu sei. E é isso que falo, para não ser ouvido, e merecer ser esquecido, como amplo repente da memória absuRDa do mundo. Ortodoxia do absurdo, ativismo inconsciente. Atabaque que nos costure contente.

Será que luLa não foi alvo de toda essa inveja, enquanto dirigia o carro, para estacioná-lo em uma vaga complicada, enquanto domava a impossível onda?

E bRizolA? E getúLio?

Como resultado, temos o golpe que nos leva às profundezas do ser brasIleiro.

laroiê, legbá.

eXu canta a gira.

ontologicamente, em português misturado a iorubá, nos dirigimos assim, diante das voltas que o mundo dá, à gira solar do senhor do labirinto chamAdo bRasil.

conceito nativo gostosamente forjado pelo amor ao bRasil, suas receitas de sensualidaDe africana ampliadoRas do incomum incesto, com gosto de fruTas nativas.

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arTE <>< ::chick corEA



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"Sobre o pai, Antonio-Rey, Artaud disse: 'Vivi até os vinte e sete anos com ódio obscuro do Pai, do Meu pai particular. Até o dia em que o vi falecer. Então esse rigor desumano, com que eu o acusava, me oprimia, cedeu. Deste corpo saiu outro ser. E, pela primeira vez na vida, esse pai me estendeu os braços. E eu, que estou atormentado por meu corpo, compreendi que ele havia estado toda vida atormentado por seu corpo e que há uma mentira do ser contra a qual nascemos para protestar'. Édipo acorrentado..."

>< antoNIn arTAud: o artesÃo do corPo sem órgãos ::++

sexta-feira, 10 de abril de 2020

pásCoa e netfliX





espaços com espinhos, ossos, cansaços, correrias :: correria sagrada e mundial :: sangramos, e esse brotar resolve-se comendo :: comer e ver :: comer e ver sagrados :: o cinema espaço mundial, ilusão sagrada, essencial :: safras, colheitas :: hollywood, globo, netflix :: "pela piada no bar" e "um crime pra comentar" :: estuário sagrado, onde a morte nos complexifica, em ondas ::



artE :: clube da esquiNa



sexta-feira, 6 de março de 2020

enriQuecer o diA




O que me fascina é o singelo, como este bule, método empírico e caboclo de passar café. Com ele começo a lida. Deposito toda a esperança de um dia promissor, de paz e harmonia em nossa cozinha. O cheiro do café, que vai fluindo pouco a pouco, me restaura como um renascer. Pronto. Depois do olfato um gosto único. Café bem fresquinho, da hora, forte e puro (sem açúcar). As notícias, a lista dos afazeres, conversas com meu parceiro e grande amor. Quase sempre sobre tudo: planos e sonhos de um país melhor e mais humano. O dia é apenas mais uma aventura, uma metáfora, um desdobre e um sinal de resistência.

//>> sílVia gou/larT, doNa deuSa //>>



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><++ mestREs de cultuRa populaR :: 
beth beLI, do bloco iLU obá de miN ><++



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vontade de não morrer na cidade, sempre violenta, a cidade, como um rio que corre movido pela sedução mística

do oriente :: vontade de não morrer pelo golpe das horas cruas e intermináveis, que nos avisam sobre o semblante de um

maior valor unívoco :: e repetir as lições de moral dos crentes, estrambólicos, neopentecostais,
evangélicos,

amigos, no limite, sempre amigos :: a vida ovariana que divido com menos de um quarto do espaço que necessito ::

a vontade de amar com nativas folhas de poder bucólico ao meu redor, mais ou menos alucinógenas,

com maior ou menor capacidade de me condecorar com primitivas ideias rupestres :: a ausência dessas

povoações placentárias em meu diário alimento ainda assim não me fazem enlouquecer ou desistir da vida

diária em nossos povos e seus estuários :: a vida diária, a me tolher... :: e ainda assim não me encolho,

pois vou vivendo qual protozoário, com as limitações típicas das populações que se encolhem, ou se encontram

invisíveis, encobertas :: vontade de não morrer na cidade, para aquecer-me das emanações numinosas

que fluem de todo contato humano, e ir contando as luas que só eu consigo ver :: a lua desgarrada

do planeta embaixo do cometa, que descobri depois de amanhecer como um despacho na porta dos enjeitados ::

a lua cris e a lua jota, essa última que inventei, depois da suba seguida por três vezes do preço da carne,

a reiterar meu espaço amargo existente na sobra da arte que inventou nossa civilização :: eita cara

de vaca!!! :: eita cara de boi!!! :: e assim vou, circundando vazios de aparência profética, vácuos repletos

de animalidades orgânicas :: 


//> marcuS minuzzi, boi arTeiro //>>





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artE :: iara rennó







ágora ::
"Se o multiculturalismo ocidental é o relativismo como política pública, o xamanismo perspectivista ameríndio é o multinaturalismo como política cósmica."

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Os pronomes cosmológicos e o 
perspectivismo ameríndio
Eduardo Viveiros de Castro




planTA :: comigo ninguém poDE

segunda-feira, 2 de março de 2020

pendÃo de miLHo e choçA



Descobri hoje
Que sou um
Pendão de
Miho,
Vergado,
Franzino.
Mas frutífero.
Crioulo.
Criado em terra santa.
A roça firme
Que me planta
Me segura neste
Chão.
Pendão de milho,
Milharal.
Perfume bom
De terra fresca,
Onde meus olhos
Serão comidos.
Onde meu
Corpo será despido.
Minha fé
Plantada
Em cada grão.
Com graça,
Pisarei
Firme.
Leve como uma
Pluma
Matriarcal
Camponesa.
Fubá,
Cangica,
Curau.
Meu gosto,
Meu olfato
De menina da
Roça
Me trazem
Carinho pelo
Pendão.
O milho
“bota boneca”,
Enfeita
O cabelo
Dourado,
Castanho,
Avermelhado.
O milho
Traz a
Lembrança
Sagrada.
Meu Pai
Benzendo
A fartura.
Minha esperança
Depositada.
Meus sonhos.
Os encantos
Do milharal.

<> sílviA goulArt, donA dEusa ++







um pouco de tudo
vai nos identificando
com o pedaço que
nos cabe no mundo,
força a nós destinada,
um fazer de barro,
cru, depois cozido,
depois lavado
pela chuva,
um ninho,
uma taipa,
uma choça ::
e o pássaro
residente
em nossa
toca compreende
o estado natural
das coisas,
seu estar,
seu ficar,
seu processo
de sorrir
com os braços
abertos
ao vento ::
seu
espaço
negro
de
ficar,
contido,
reforçando
as tramas
da cabana
que absorve
luz o dia
inteiro
e se cura
ao abrigo
do poder
obscuro
do obscuro
curanDeiro,
cozinheiro,
senhor dos
sopros
no milharal ::
coisa boa,
coisa útil,
coisa tátil ::
panela
de barro,
acha de
lenha,
coisa musicalmente
que imita
um divino
espírito
sanTo
da floresta :


>< marcuS minuzzi, boi arTEiro>+:




mestREs da culTura popuLar :: manoEl seabRA


artE :: joAna queiRoz





o amoR alimenTA o poeMa

1. A moça comigo brinca na relva. Estou bento iluminado  Com o membro  Amando tesouros míticos. O segredo é peniano. Ora a moça numinosa. A ...

as mais visiTadas