++ percepção lentamente valorizada do amor brasileiro agreste <:> rito ovariano onírico e negro :x: paixão e sociabilidade dionisíacas comungadas por dona deuSa (sílvia goulart) e o boi arteiRo (marcus minuzzi) <:> a verdade xamânIca da guerra apruma nossas corações antigos e dispostos a tudo contra o fascismo :x: poemas, análises, amores pictografados <:> elegia ao sertão artístico :x:

domingo, 23 de maio de 2021

o amOR


 

o mais difícil
é fazer creScer
o amor
:: vamos cavand
o profundo, há um túnel que o apresenta ::
m
ágica e tantricamente, de modo antigo,
o vamos
fazendo
enquanto
vivemos e nos
vamos fazenDo,
na casa, comida,
paiol,
canto, cidade  :: 





























quinta-feira, 22 de abril de 2021

uniVerso vasculaR








Aventurar-se pelo mundo
Sem entender a lógica
Do rastro deixado
No caminho de pedras.
Abrir a alma para
O universo vascular:
Pequenos becos
Amanhecidos de fé
E espantosa luz
Celestial.
É quase um púlpito
Erguido nos becos.
A gente que habita ali
É feita de pedra; e cor.
Lança e punhal.
Medo e inocência.
Crueldade e candura.
Aventurar-se pelo mundo
À procura de gente
Sem entender como
Dói existir aqui,
Como dói ser
Nos bordéis, palácios,
Pendurados
Por um fio.
Quanta alegoria, quanto
Samba,
Muita morte e medo.
A pintura é dúbia.
“É bela a banguela a Guanabara.”















alimentar o amor nupcial :: não deve ser outro o objetivo da arte em nossas vidas :: casar, e estar sempre

casando :: "traz no bico um galhinho", canta tetÊ :: trazer as roupas dela, as caras delas :: texTos dela :: faixa "trigo do amor" ::

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as boninas sobre os monturos :: cada fio na rede tecida, verbo-músico-visual, é uma bonina sobre o monturo ::

sem monturo, não há perfume da bonina ::





quarta-feira, 21 de abril de 2021

o bRasil e seus bRasis


Vestido puído, canelas finas.

Franzinas silhuetas destas mães: do craque, do lixo, da rua e da quebrada.

Mães velhas e mães meninas, perdidas pelos cantos; casa-de-papelão.

O Brasil e seus brasis, uma fonte transgressora de oprimir e renegar sua "bunda suja". 

A pobreza é feia, agride, irrita: "cheias de filhos", crianças pobres, sinal, pedra e balinha.

A elite brasileira é o pai e a mãe da sujeira e da falta de pão. O pai e a mãe dos prostíbulos judiciais. 

A suruba continua dando cria e oprimindo as mães franzinas, sujinhas e desconfortavelmente, indecentemente incomodativas!

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><> sílviA gouLart, donA deuSa :: ++




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outro dia assisti a "tancredo - a travessia", de sílviO tenDler, belo documentário que biografa a trágica

figura de tancredo neves e sua contribuição para a ideia de uma prática política institucional conciliadora no bRasil,

em contraste com a triste realidade atual :: o filme mostra como o político mineiro foi o principal artífice

das negociações necessárias para o fim da ditadura militar, em 1985, antes de falecer impedido de tomar posse (em um 21 de abril, há exatos 36 anos0,

e do quanto todas essas negociações, em um contexto altamente complexo, exigiam habilidades

nada vulgares de diálogo e articulação entre diferentes setores da sociedade ::



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assistir ao filme, ao mesmo tempo, para mim reforçou a ideia de que o destino no bRasil é sua virada lenta e inevitável em direção

 à esquerda, ou a uma maior justiça social, como queiram :: presidentes como getúlio, juscelino, jango, tancredo, luLa e dilMa expressaram

forças que sempre se apresentaram com grande contundÊncia ao longo da história de nossa república,

precisando, devido à sua alta legitimidade, serem dramaticamente atacadas por tradicionais inimigos da 

democracia :: o popular, no bRasil, é geral, maior e amoroso, por representar uma resistÊncia de alta vitalidade, que se desenvolve e se renova com

grande tenacidade, como uma videira milagrosa, que nunca para de medrar e gerar frutos :: a chegada do PT ao poder, 

e sua conquista de quatro eleições precidenciais seguidas, comprova essa verdadeira iluminação humanizadora ::




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o caso de luLa (preso e impedido de candidatar-se), de certo modo, acabou concretizando também o destino de líderes como getúlio e tancredO, que dedicaram 

e sacrificaram suas vidas pelo país, cumprindo  o destino de verdadeiros mártires  :: como negá-lo? :: todos eles foram estadistas de fato, os maiores que 

país já teve (ou ensaiou ter, no caso de tancredo) representando a cultura e o destino de uma pátria poderosamente vocacionada

à liberdade e à justiça social, mesmo que a duras penas :: todos eles exímios negociadores, reforçando

a hipótese do país cordial, e ao mesmo tempo contrariando o senso comum que nega, alienadamente, esse mito fundador da bRasilidade ::

líderes como tancredo sonham com o enobrecimento de nossa realidade porque são sonhados

pelo conjunto da coletividade, desde o desejo inconsciente mais profundo da nação :: ouvir essa canção,

que soa ininterrupamente em nosso imaginário, esforçar-se por ouvi-la e mantÊ-la soando, é uma atitude concreta

que podemos ter em favor da real e efetiva independÊncia do bRAsil ::

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><> marCus minuzzi, boi arTEiro :: ++





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"Se nós estamos vivendo esse tempo de total imprecisão até no sentido da experiência de viver, a arte se constitui no lugar mais potente e mais provável de se constituírem novas respostas e novas perguntas para o mundo que nós vamos ter que dar conta daqui pra frente." >< ailTon Krenak

domingo, 28 de março de 2021

simpLes




Simplicidade é coisa de Deus. Todos os dias busco esse olhar para seguir em frente.






 aqui, nesse espaço, tenho minhas alucinações, que misturam feijão, arroz, milho, aipim, um pouco de sangue, mais moléculas que são abrandadoras do tempo, esse vento voraz que nos consome ::




quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

devaNEio

reliGião maior: sucção da vidA ::


ontologicamente, sinto-me vinculado de modo real e orgânico a verdades inefáveis, indizíveis, como a da intimidade entre o mundo vegetal e as cidades ::

a cidade, no jeito de um espelho, vorazmente se comunica  com o ser das raízes, das vagens, das abóboras, dos cereais, dos tubérculos :: 

intuo isso, seguindo exemplos originários de um animismo essencialmente brasileiro :: 

as plantas alimentícias constituem reinos vitais que  aconselham nossas almas :: que nos produzem, célula a célula, fibra a fibra, ativamente, nas cidades, nutriente por nutriente :: 


são apelos que nos avisam sobre a sabedoria antiga do amar sem atingir o outro :: as sabedorias humano-ancestrais de calar a violência :: são sabores que conduzem a vizinhas galáxias de estrelas longínquas, incertas e de sonhadas sensações de provimento-sacieDAde ::
cidade após cidade :: tijolo após tijolo ::

veracidade elementar iluminodora está nos plantas, que nos permite pensar em forças grandiosas porque naturais e alegremenTe energéticas :: 


forças que navegam junto e fundamentam a alegria que nos traz a comida :: 

rezarei pelo vínculo esse, de meu estranho amor pela voz calada de mulheres vivas vegetais que nos nutrem-amamentam ::




pásSaro de fogo no tereiro muNdo ((sobre torquAto neto

domingo, 31 de janeiro de 2021

monTuro



a gente tem que estar sempre
articulando uma revelação a partir
dos monturos, realidade
maluca sul-americana ::
tem que estar sempre
imaginando que uma pátria esquisita
virá nos salvar ::
salvar a quem tem
hostes a organizar,
na luta esquisita
da conquista agrária
pela limpEza ::
eu tenho
tempos em meus
ciclos,
eu apareço
no interior
de redemoinhos ::
eu sou o demônio
íntimo de lagoinhas
amarelas de papel
crepom, que organizam
tambores em festas ::
e aqui não há lutos
nem tristeZas,
apesar de pandemias
e desesperanças
decretadas por
genocidAs ::
aqui só vale
um potente
amor indíGena ::

marCus minuzzi, boi aRteiro ::

domingo, 20 de dezembro de 2020



há quem fuja da profundidade :: não é o meu caso :: invariavelmente estaco, na atenção a chamados das camadas invisíveis, imobilizado-atraído pelo ser profundo que quer minuciosamente demonstrar-se :: 

leio então o ser submerso :: o faço aflorar por força da minha hora dedicada ao poço romÂntico em que se protege :: há quem fuja desses lençóis freáticos :: não eu :: 

e se me evado, desejando a superficialidade, logo me sinto um outro, um reles brasileiro amargo, vítima da displiscência :: funcionário pouquíssimo aplicado das encostas poéticas desse país que, com suas musas, segredam coisas aos corajosos :: 

detenho concessões para lavras maravilhosas, mas perigosas, cujo preço são maços e mais maços de flores ofertadas ao deuS perfeito das visagEns hospitaLeiras da alMa ::


O Natal chegando e o coração da gente começa a encher de amor e lembranças.
É dessa época que trago minhas melhores recordações. Minha mãe, hoje quase inconsciente, era mulher de luta. Para as festas fazia pães, bolachas, cucas e doces. Mas o cheiro do pão sovado feito com trigo colhido por nós, esse era mágico. Nos trazia a esperança de vida em movimento. Amor incondicional fabricado na labuta, no fazer da lida diária. Tenho gosto nessa herança que minha velha me passou.
Tenho gosto e compromisso sério com esse legado, com essa matriz de alimentar as pessoas. Hoje amassei pães. Um jeito amoroso de saudar a vida, que, afinal, anda sensível e doída para tantos irmãos e irmãs que sofrem com a pandemia. Vamos buscar força para enfrentar essa luta e brigar pela vida! Bom domingo


larissa luz e o terriTório conquisTado


"Filho de Deus, Jesus, tenho amor por Vós, um gande amor por Vós. E saudade. Me cura. Me dá o Espírito Santo. Será que nunca mais vou dar conta de escrever uma poética? Meu braço dói, deve ser reumatismo. Será que fico velha sem fazer aquele vestido? Oh, gente, só tinha 40 anos quando escrevi esta queixa!" ((adélia pRado, "o homem da mãe sEca"






segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

essas entidades são liGeiras, no panteÃo da umbanda :: preta velha sagrada que me desvela segrEdos :: esteve essa preta sob o jugo de são paulo, cafeicultor paulista :: presa preta, acorrentada, amarrada, violentada pelo trÂnsito e no asfalto, servindo a nós, misteriosamente, o povo :: usa um perfume, para que possamos nos interessar por ela :: está amarrando maços de flores agora, para colocar na mão das pessoas comuns da vida, moças, namoradas, namoradeiras esposas, que vivem nas brasileiras cidades :: preto umbandista, mão que bate tambor, para gerar com calor de suas palmas ideias boas nas cabeças da mocidade que habita nas brasileiras cidades ::  rapazes, homens, pregações, homilias :: tambor, polirritimia, algoritmos, café, tudo o que se anima :: arruaça de boi :: ideias boas :: a população que come feijão :: a população em geral :: são ligeiros esses entregadores de paz e pão :: sábados, nos cultos da umBanda, feras mais dionisismos, entregas às santidades em culto pela natureza :: candomblé sagrado, uma unção :: mães guerreiras, genitoras com sobriEdade, obrigatórias, generosas, geradoRas, bondosas, louváveis, amantíssimas, prezadas, limpadoras, nem um pouco grosseiras ::




sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

requinTe de sinhÁ


 

Bebi o vinho.

Pude ser,

Sentir o efeito da riqueza

Em minhas mãos.

Traços finos,

Requinte de sinhá.

Está em mim esta rainha.

Me visita hoje.

Suas vestes inspiram

Uma grandeza que assombra.

Está em mim.

O poder me assusta.

A nobreza me cabe hoje.

Só espero que o dia amanheça

E traga meu reinado.


         >< sílVia goularT, a dona dEusas :.


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"A farinha era artigo de primeira necessidade, para todos, motivo pelo qual os agricultores de capitanias como a de São Jorge dos Ilhéus foram obrigados por lei, durante diferentes períodos da história colonial, a plantar somente mandioca para abastecer Salvador e região metropolitana, pois a capital da província não dispensava o artigo nem mesmo em tempos de conflitos ou de seca."  >< Referências do Brasil colonial a partir do comer na obra de Gilberto Freyre


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na simplicidade do dia a dia está
o sereno salvador ::
o que é simples amplia o céu ::
os fantásticos foguetes
lançados pelos norte-americanos
não vencem
o rito dos foguetórios nos
folguedos bem brasileiros
dos sertões gigantes agrestes ::
sendo o Brasil uma sensação
eterna de brinquedo ::
sendo o bRasil
algo que lembra sempre
a infÂncia em seu mais
etéreo segredo ::

 >< marcus mINuzzi, o boi  artEiro :.


 arTe  arTe ::  arTe 



 

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

 estou em pleno vigor mítico das minhas possibilidades, árvore antropológica voraz e erguendo-se ao infinito :: hoje, nem os pais, nem os prédios, atrapalham mais :: nem a sede por amor :: estou cabendo na palma da revolução, por amor ::: e o meu sangue, por amor, que sinto, cada vez mais mítico, por possuir capilaridades relacionadas a hinos de combustão e de uma certa violência agrária, agora é potÊncia, e não ameaça, é não ao horror necrológico, à hora marcada para morrer :: vejo na ponta desses cabelos hordas de camponesas, como numa ciência da terra, uma edafologia dos espíritos trágicos que aviam, como esquemas táticos, uma edafologia da governabilidade sobre o planeta a partir dos mortos plantados, da grande camada de matéria orgânica que nos dá sustenTo e organiza :: mortos que juntos nos governam, com seus méritos, fantasias e faíscas, ali, de onde se elabora e se expande nossa consciêcia mítica, numa impressão anciã ou eremita dos zilhões de vezes que a vida pululou por sobre o planeta :: e são coaxos de rãs que nos exaltam, como numa chuva do abismo tamanho de uma escala inteira geográfica, a sudeste, ou a leste, no intento do gozo das moças que sopram o vento, que são o vento :: e ali, na áfrica, cabeça do mundo, ouço do tudo, após buscar temperos no ocidente e olhos no oriEnte :: sou a zabimBa inteira festa, e estou disposto a governar para os generosos jovens que nos melhoram com suas votivas relações com o mundo e as potÊncias, sejam musicais, sejam eróticas, sejam passivas ou militarmente poéticas :: ((sobre se sentir forte e radiante a ponto de ansiar por estar com 80 anos de idade, jovem marcus, nessa escala poética, que vai das astronaves aos dinossauros, tempo, xangô mágico


:: no candomblé, envelhecer é uma dádiVA ::















"A questão do silêncio também pode ser estendida para um silêncio epistemológico e de prática política dentro do movimento feminista. O silêncio em relação à realidade das mulheres negras não a coloca como sujeitos políticos. Um silêncio que, por exemplo, faz com que nos últimos 10 anos tenha diminuído o assassinato de mulheres brancas em quase 10% e aumentado em quase 55% o de mulheres negras, segundo o Mapa da Violência de 2015." >< djAmila riBeiro

segunda-feira, 2 de novembro de 2020


o necessário isolamento nos faz perceber e reter, praticamente com as mãos, a partícula impossível, aquela que ninguém move ou é capaz de mover :: melhor lugar na memória do ser humano, tal permanência nos permite amar indistintamente, mesmo em um país como o bRasil, de cotidiano cada vez detestavelmente violEnto, fratura do ocidente amargo, para  o qual estendo minhas mãos de pássaro, feitas de papelão, lata, entulhos :: partícula mágica, micrograma do mais puro alvor de dioniso, que obtenho :: alvuras mágicas, abrigo no brejo, a voz embargada pela beleza do vento, iemanjá mãe-deusa do mar, múltiplas feitiçarias :: graças a ti, mantenho-me indevassado no calor em brasa dessa massa ao mesmo tempo ferrenha, astuta e assassina, eu, que madruguei em porto alegre, e venha medrando pela internet, em seus monturos nitidamente vorazes e auríferos :: e a estupidez humana clássica se transforma numa palavra da bíBlia ::

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o devaneio cíclico, revelação :: olho aberto para a ecologia, imaginação :: concórdia, esperança, paladar aguçado em relação aos meios vivos, viventes, amorosos, desejosos, querentes :: um lago, na vida, habitação, relação entre os seres, quente, amnioticamente, amniótica, bolsa da mãe, olho vivo do lago :: : desejo de retorno ao lar ampliado, lago, casa, algo bonito, abrigo, abraço, abrigo ::






o amoR alimenTA o poeMa

1. A moça comigo brinca na relva. Estou bento iluminado  Com o membro  Amando tesouros míticos. O segredo é peniano. Ora a moça numinosa. A ...

as mais visiTadas