++ percepção lentamente valorizada do amor brasileiro agreste <:> rito ovariano onírico e negro :x: paixão e sociabilidade dionisíacas comungadas por dona deuSa (sílvia goulart) e o boi arteiRo (marcus minuzzi) <:> a verdade xamânIca da guerra apruma nossas corações antigos e dispostos a tudo contra o fascismo :x: poemas, análises, amores pictografados <:> elegia ao sertão artístico :x:

sábado, 30 de agosto de 2025

 eu primitiva

  mente entendo que precis

amos ali

mentar sonhos no

vos toda

        hora para

 conversar com anjos








quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

caraCol



lento é o 

       respiraR 

   do axé



 


devagar, lento, demorado :: eu produzo assim meu contato com o carinho divino augusto angelical :: lento é o respirar do axé, a cortina espessa das sentinelas que guardam os caminhos até o alto pede tudo com vagareza :: brincar produz químicas chaves de destrancar ruas, coletivas ruas, químicas chaves que são minúcias decifradas com paciência dolente e amorosa ::




sexta-feira, 13 de outubro de 2023

são pAulo

 




nunca o filé,

o filé, nunca ::
se não paro
e me centro,
só como
a carne do osso,
as sobras,
aquilo que são paulo
apenas deixa 
como tímidA
recompensa ::
só,
são paulo ::
só
e bento,
ungido
por tua
música
atroz ::
são paulo
capital produção ::
são paulo
dos motoboys
ifood ::
são paulo briga comigo
e me obriga
a entender
sobre como fazer
geral um pirão,
queijo
com goiabada,
forjar das sobras
com feijão
uma da boa
feijoada,
uma da boa
com feijão,
fonte
de ferro ::
sem erro
algum
de comunicação,
são paulo,
meu país,
meu extrato,
meu saldo
bancário ::
virei gado
real,
de uma
procissão
de piratas
de um
ex-cruzeiro
marítimo,
da via
sagrada,
quilombo
navio
negreiro ::
::
são paulo
me concentra ::
sem ela,
não pinto,
não bordo,
não entendo
o conteúdo
ameríndio
e de mãe
africa ::
são paulo
me contenta ::
nunca o filé,
sempre
as sobras
para o meu
jantar de
escravo
olho
brasileiro
bento
aberto ::
e assim
preparo
meu tempo,
já que antes
assassinaram
meu tempo,
já que vivo morto,
morto vivo,
andarilhando,
voejando,
encontrado
pela solução
em metal
precioso
que
recobre
o corpo
qual
vaso
ou tesouro
achado,
no fundo
do mar
achado,
uma
relíquia
eu sou,
o malandro
atávico
bendito ::

domingo, 8 de outubro de 2023

traBalho

 



acho que meu verde desejo por mãos boas, fartas, generosas, e que meu sonho por pés ligeiros, que me coloquem sempre a serviço de alguma arte valorosa, vem da complicada situação pela qual o crime nos acompanha, sempre, o tempo inteiro, seja ele qual for ::


aquilo que enternece faz o crime se evadir, o suspende nem que seja por alguns
momentos sagazes, de compreensão então ainda mais aguda do quanto somos propensos ao erro ::

no mundo, tudo está para ser roubado, mantido, capturado, até que se satisfaçam porções de desejo, muitas vezes ocultas ::

e sonho porque corro, e coloco e passo o dedo por pinturas que revelam uma impressionante face produtora de sentidos, uma máquina de sentir que nos torna maiores, a cada momento, sempre pulsando, e sinto vergonha, sinto medo, sofro ataques, saqueio impérios, sou o longo sofrimento da raça humana em busca de uma nação calma e prazenteira, onde tudo é trabalho, e o trabalho é de fato um final coletivo, ardorosamente coletivo, um final ardorosamente coletivo para nosso sofrimento ::

terça-feira, 25 de julho de 2023

a complexidade do real, sua intrincada rede de relações, pode ser melhor assimilada na medida mesma em que desenvolvemos uma rede semelhantemente complexa de relações a partir de nossas voracidades linguísticas ::  por exemplo: numa riqueza de detalhes de uma composição bem tecida, em uma obra musical, encontramos um meio para, por analogia e força da imaginação, desbravar a rede complexa do real :: para, por conta desses recursos, não recair em imprestáveis simplificações ::
ou, por outra: uma subjetividade rica eriquece a chance de melhor interpretarmos o real, pois nos abre uma percepção onírica tamanha que nos aproximamos do próprio sonho leve das categorias divinas que nos legam essa pesada estrutura complexa - o real - envolvendo matéria e tempo, tempo e matéria, ontologias vitais de sexo e competição, sangue, ossos, metais, morte, espumas, alucinações ::



e se falássemos como um japonês? :: assumindo uma língua distante da normal, soando estranho igual como um oriental? :: assumindo aspectos da brasilidade que talvez nunca tenham sido incorporados à identidade comum do povo, ou que jazam esquecidos :: a música dos seringais, os toques do pantanal e do cerrado, tudo que faz parte de uma imensa cultura popular :: ainda é possível sonhar com essa espécie de torta ou bolo, confeitada por nossa sede de ser?

((17 maio 2020 ++++

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

feliZ sou sonHando

Veja meu amor como é lindo crer
Na poderosa e transformadora força
Cósmica que ora se faz presente
Por estarmos aqui.
Juntos.
Felicidade é só aquilo que pode ser
Tragado em pequenos espasmos.
É quando sentimos conforto em nossos
Periféricos e secretos desejos.
Não é o óbvio que nos faz felizes.
O ainda secreto e o mais sutil,
O desígnio angelical impelido pelas musas,
Nos coloca na proa.
Agora vamos adiante.
Vamos sem medo.





é pedra, é pedra, é muita pedreira :: o bRasil não foge à regra de qualquer país da amÉrica latina, sendo talvez uma espécie de carro-chefe da região, em termos de destino espinhoso, obstáculos, grandes dificuldades a serem vencidas ::

ora, nossa base é, como no resto da américa, a abissilidade da escravidão, seu aspecto profundo e, por que não dizer, inesgotável ::

não acaba, não acaba nunca :: estar aqui, vivo, é manter-se atado aos esquemas de um imperialismo nórdico que sobrevive, e se reconstrói :: a par disso tudo, eu sou feliz :: "tô sonhando, mas eu sou feliz", ensina um samba gravado por beth carvalho ::

a reflexão, aliás, vem por conta desse samba, que ouço distraidamente, por acaso, na fila do pão, enquanto trabalho, no chuveiro, no ônibus, colado a meu aspecto mediúnico, indígena, candomblecista ::

tô sonhando, mas eu tô feliz :: e o moleque se arruma e vai engraxar sapatos ou vender chicletes, enquanto samba :: é o nosso destino, enquanto a bandeira brasileira, hoje bastante gasta mas verdejante, é hasteada no cabo de uma vassoura, de um esfregão, de um cabo eletrônico de uma lan house de bairro ::

tô sonhando, mas eu tô feliz :: o que arlindo cruz, um dos compositores do samba, ensina, é que sem a sabedoria ancestral da cabeça distinta brasileira aqui formada, forjada por séculos de ansiedade escrava e trabalhadora, mais escrava do que trabalhadora, não tem como prosseguir em frente, pois é muito pedreira :: a pedra sagrada, de certo modo, que não nos atormenta, porque somos mais que astronautas navegadores, somos a boa nova da civilização ocidental ::

e a vida dá voltas, e essa verdade volta, como um bebê ocidental jogado em nosso colo :: é a nossa identidade :: caetano veloso está quase completando 80 anos :: essa foi a primeira e mais forte verdade que vislumbrou em seus desvios poéticos, na distante década de 60 do século XX :: mas que o visita sempre e novamente :: a ponto de gravar em seu último disco, "meu coco", que "sem samba não dá" :: 

é a mesma coisa :: tô sonhando mas eu sou feliz :: o bRasil não se escreve com tinta, mas com sangue e essas alegrias intensas das etnias de marginais que não se contentam com a alegria do básico alegre sangue ocidental europeu ::

há uma larga avenida que nos apascenta, como no antro dos carnavalescos em seus recitais de úmida visita ao mito ativo nosso brasílico :: e eu sou paz para o planeta, quando nisso ancora minhas esperanças dionisíacas e orientais ::






segunda-feira, 8 de novembro de 2021

coziNhadinha


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Cozinha, cozinhadinha.

Eu sei como se faz. O amor excede às beiradas do prato.

A cada bocado sente o que está escrito nessa oferenda minha.

A comida apascenta os ânimos, acolhe e dá fé.


+ sílVia goulArt, a dona dEusa ||:







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:| :|\|: |\|:|\|:|\|: ||:|                    :| :|\|: |\|:|\|:|\|: ||:|
            ágoRA ::

segunda-feira, 5 de julho de 2021

árvoRe-etniA


<<< poEma sobre imagEns ++ verso e pinTuras de sílviA goulart, a dona dEusa 



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a gente resiste em aceitar o bRasil, por ser essa uma nação vinculada à escravidão (africana) e ao genocídio (indígena) :: 

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por ser o paíS um holocausto, produtor de, não somente vítimas, mas também grande acúmulo de riquezas apropriadas por não-brasileiros ::

sem falar no hábito internacional de exploração de nossas riqueZas naturais :: nossa casa invadida e espoliada, agredida, violenTAda, saqueada ::

mas justamente por essa soma de tragédias é que a brasilidade realiza seu ímpeto de expansão, crescendo por sobre as pessoas vagarosamente, impondo-se sem que ninguém perceba ::

na ligação com volatilidades que tanto mais nos protegem, quanto maior o perigo que corremos, é que o valor de nossa essÊncia digna cresce :: <<>> <<<<>> <    ++++++++  como pombas, somos ofertados :: em um pedestal que mistura sacrifício, ritmo e raciocínio, crescemos enquanto a árvoRe-etnia que broTa da relVa selvaGem em sangue ::

entendo a brasilidade como a resposta a uma soma de agulhas, arpões, espinhos cravados em todo corpo, pois nossa realidade é pontiaguda, abrindo uma ferida sensíval da qual aflora tudo o que somos e sabemos enquanto povo ::

todo mundo quer ser ou inglÊs ou americano, ou japonês ou coreano, ou só afriCAno ou só indígena :: todo mundo quer se livrar do país dos massacres nas favelas e na floresTA, do país do holocAusto carcerário e das milíciAs assassinas, do país que elegeu bolsOnaro com o espantoso apoio das pessoas comuns e da classE dominante :: mas a verdade civilizacional que une a todos (os brasileiros) em um único laço de bondade e <<>> <<<<>> <

<<>> <<<<>> <renovação é mais forte que essas resistências todas :: 

no limite, vale tão somente a obRa coletiva :: e essa obRA, definitivamente, é o que deve orientar nossas buscas por redenção <<>> <<<<>> <e felicidaDE ::  

marCus minuzzi, boi aRteiro ::


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plantA :: lentiLHa

++ há muitas vezes na alma recôndita do mundo uma luta
 contra o bem, que é pela destruição da inocência infantil
 >++>

<> <>><<

> <<> <       > <


A psicologia do orgiástico como sentimento transbordante de vida e força, no interior do qual mesmo a dor age como estimulante, deu-me a chave para o conceito do sentimento trágico (...) O dizer Sim à vida, mesmo em seus problemas mais duros e estranhos; a vontade de vida, alegrando-se da própria inesgotabilidade no sacrifício de seus mais elevados tipos – a isso chamei dionisíaco. <<>> <<<<>> <niEtzsche ++

domingo, 23 de maio de 2021

o amOR


 

o mais difícil
é fazer creScer
o amor
:: vamos cavand
o profundo, há um túnel que o apresenta ::
m
ágica e tantricamente, de modo antigo,
o vamos
fazendo
enquanto
vivemos e nos
vamos fazenDo,
na casa, comida,
paiol,
canto, cidade  :: 





























quinta-feira, 22 de abril de 2021

uniVerso vasculaR








Aventurar-se pelo mundo
Sem entender a lógica
Do rastro deixado
No caminho de pedras.
Abrir a alma para
O universo vascular:
Pequenos becos
Amanhecidos de fé
E espantosa luz
Celestial.
É quase um púlpito
Erguido nos becos.
A gente que habita ali
É feita de pedra; e cor.
Lança e punhal.
Medo e inocência.
Crueldade e candura.
Aventurar-se pelo mundo
À procura de gente
Sem entender como
Dói existir aqui,
Como dói ser
Nos bordéis, palácios,
Pendurados
Por um fio.
Quanta alegoria, quanto
Samba,
Muita morte e medo.
A pintura é dúbia.
“É bela a banguela a Guanabara.”















alimentar o amor nupcial :: não deve ser outro o objetivo da arte em nossas vidas :: casar, e estar sempre

casando :: "traz no bico um galhinho", canta tetÊ :: trazer as roupas dela, as caras delas :: texTos dela :: faixa "trigo do amor" ::

@@
as boninas sobre os monturos :: cada fio na rede tecida, verbo-músico-visual, é uma bonina sobre o monturo ::

sem monturo, não há perfume da bonina ::





quarta-feira, 21 de abril de 2021

o bRasil e seus bRasis


Vestido puído, canelas finas.

Franzinas silhuetas destas mães: do craque, do lixo, da rua e da quebrada.

Mães velhas e mães meninas, perdidas pelos cantos; casa-de-papelão.

O Brasil e seus brasis, uma fonte transgressora de oprimir e renegar sua "bunda suja". 

A pobreza é feia, agride, irrita: "cheias de filhos", crianças pobres, sinal, pedra e balinha.

A elite brasileira é o pai e a mãe da sujeira e da falta de pão. O pai e a mãe dos prostíbulos judiciais. 

A suruba continua dando cria e oprimindo as mães franzinas, sujinhas e desconfortavelmente, indecentemente incomodativas!

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><> sílviA gouLart, donA deuSa :: ++




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+>+

outro dia assisti a "tancredo - a travessia", de sílviO tenDler, belo documentário que biografa a trágica

figura de tancredo neves e sua contribuição para a ideia de uma prática política institucional conciliadora no bRasil,

em contraste com a triste realidade atual :: o filme mostra como o político mineiro foi o principal artífice

das negociações necessárias para o fim da ditadura militar, em 1985, antes de falecer impedido de tomar posse (em um 21 de abril, há exatos 36 anos0,

e do quanto todas essas negociações, em um contexto altamente complexo, exigiam habilidades

nada vulgares de diálogo e articulação entre diferentes setores da sociedade ::



+>+

assistir ao filme, ao mesmo tempo, para mim reforçou a ideia de que o destino no bRasil é sua virada lenta e inevitável em direção

 à esquerda, ou a uma maior justiça social, como queiram :: presidentes como getúlio, juscelino, jango, tancredo, luLa e dilMa expressaram

forças que sempre se apresentaram com grande contundÊncia ao longo da história de nossa república,

precisando, devido à sua alta legitimidade, serem dramaticamente atacadas por tradicionais inimigos da 

democracia :: o popular, no bRasil, é geral, maior e amoroso, por representar uma resistÊncia de alta vitalidade, que se desenvolve e se renova com

grande tenacidade, como uma videira milagrosa, que nunca para de medrar e gerar frutos :: a chegada do PT ao poder, 

e sua conquista de quatro eleições precidenciais seguidas, comprova essa verdadeira iluminação humanizadora ::




+>+ 

o caso de luLa (preso e impedido de candidatar-se), de certo modo, acabou concretizando também o destino de líderes como getúlio e tancredO, que dedicaram 

e sacrificaram suas vidas pelo país, cumprindo  o destino de verdadeiros mártires  :: como negá-lo? :: todos eles foram estadistas de fato, os maiores que 

país já teve (ou ensaiou ter, no caso de tancredo) representando a cultura e o destino de uma pátria poderosamente vocacionada

à liberdade e à justiça social, mesmo que a duras penas :: todos eles exímios negociadores, reforçando

a hipótese do país cordial, e ao mesmo tempo contrariando o senso comum que nega, alienadamente, esse mito fundador da bRasilidade ::

líderes como tancredo sonham com o enobrecimento de nossa realidade porque são sonhados

pelo conjunto da coletividade, desde o desejo inconsciente mais profundo da nação :: ouvir essa canção,

que soa ininterrupamente em nosso imaginário, esforçar-se por ouvi-la e mantÊ-la soando, é uma atitude concreta

que podemos ter em favor da real e efetiva independÊncia do bRAsil ::

<<>> <<>> <<>> <<>> 

><> marCus minuzzi, boi arTEiro :: ++





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"Se nós estamos vivendo esse tempo de total imprecisão até no sentido da experiência de viver, a arte se constitui no lugar mais potente e mais provável de se constituírem novas respostas e novas perguntas para o mundo que nós vamos ter que dar conta daqui pra frente." >< ailTon Krenak

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