hoje deve-se comprar açúcar, nesse belo hoje pergunto ao tônus do santo belo artista imemorial como comprar açúcar,
precisa e pode ser bela essa mítica aquisição, quem compra com a memória, adelina, é como se reinasse e fosse o pomo essencial da doçura,
será hoje extrA doce arrematar açúcar na eternidade musculosa e diva desse dia, açúcar, pão e farinha, sal, e sem secura, sempre sem secura, água cristalina e extra pura para minha unção pelo tempo,
sonho o grão de açúcar, óleo raiz obscura desses aportes de energia e volúpia, tenho que sonhar o açúcar no salgado de sua produção e troca,
eu sou esse caboclo que levanta cedo e carrega pilhas, a cabeça boa, a faixa na cabeça, a brilhar, há uma liga de óleo e calor divino que me besunta,
caboclo da união, do contato-esporte, da saudação, cordialidade, vive dentro de mim,
bem vivo, esse humano antigo, manso e pardo, branco, negro, aborígene,
todas as luas, vinte aves, intempéries e cruel submissão aos fardos, todas as vidas, todas as pilhas para minhas costas, pernas e braços, todas as ruas, sítios, encruzas, sombras que me consomem no silêncio ardiloso silencioso das encuzas
"o que a memória
ama fica eterno"
adéliA pradO

